Após demissões, Uber estuda afastar presidente-executivo

Uber é alvo de brigas e denúncias de abuso sexual

A multinacional passa por uma reforma da direção em meio a acusações de machismo e abuso sexual.

O presidente-executivo da Uber, Travis Kalanick, decidiu tirar uma licença sem vencimento da empresa, noticiam o New York Times e o Financial Times, citando um email interno da empresa.

A multinacional de transporte privado de passageiros contempla uma reforma da direção que inclui a eventual substituição de seu presidente executivo, e se dispõe a publicar na terça-feira os resultados de uma investigação independente sobre má conduta e práticas éticas.

O tema vai estar em análise na reunião do conselho de Administração da empresa e surge depois da Uber ter solicitado ao antigo procurador-geral dos EUA, Eric Holder, que conduzisse uma investigação a uma série de escândalos de assédio, discriminação e cultura agressiva, que envolvem Kalanick e outros gestores.

"Se vamos trabalhar numa Uber 2.0, também preciso de trabalhar no Travis 2.0 para me tornar no líder que esta empresa precisa e que vocês merecem", escreveu no email a que o BuzzFeed também teve acesso.

O conselho está considerando a proposta de manter Kalanick afastado durante alguns meses com uma "licença".

Caso Kalanick regresse aos comandos da Uber, fica desde já definido que terá menos poderes, pois terá que ser criado o cargo de chief operating office (COO).

O diretor técnico do grupo, Amit Singhal, foi forçado a renunciar após ocultar a queixa por abuso sexual que lhe foi dirigida pela Google.

Kalanick informou ainda os funcionários da empresa de que, durante o período intercalar, a empresa será gerida pela sua equipa e directores.

Em fevereiro, a Waymo, filial da Alphabet (Google) encarregada do desenvolvimento de carros autônomos, acusou um de seus ex-diretores, Anthony Levandowski, de ter roubado informação técnica ao se separar da empresa para fundar sua própria companhia, Otto, posteriormente adquirida pela Uber.

A Uber anunciou no final de maio que havia despedido Levandowski, acusando-o de não querer cooperar com a investigação que foi aberta como resultado deste litígio. A empresa enfrentou ações trabalhistas, está sendo processada nos EUA por suspeita de ter usado um software para evitar que seus motoristas fossem detectados por autoridades em áreas onde o serviço é proibido, além de ter sofrido denúncias de sexismo e assédio sexual.

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