Joesley Batista volta ao Brasil e presta esclarecimentos à PGR

Silvia Costanti  Valor

Nos últimos dias, o setor jurídico do grupo J&F, que detém a JBS, vem dando continuidade às investigações internas para oferecer à Procuradoria-Geral da República (PGR) dados complementares à colaboração premiada dos executivos da empresa. Além dele, o executivo da JBS Ricardo Saud também foi ouvido na segunda. Conforme o texto, Joesley saiu do país para proteger a integridade de sua família, "que sofreu reiteradas ameaças" desde que ele decidiu fechar acordo de delação premiada com a Operação Lava Jato.

Para complementar: "Joesley Batista estava na China - e não passeando na Quinta Avenida, em Nova York, ao contrário do que chegou a ser noticiado e caluniosamente dito até pelo presidente da República".

Pivô da maior crise política envolvendo o governo Temer, o empresário Joesley Batista está no Brasil desde o último domingo.

Na delação, Joesley Batista narrou que, em 2009, foi criada uma conta para receber os repasses relacionados a Lula e, no ano seguinte, outra foi aberta para envio de valores relacionados a Dilma.

"O depoente escriturou em favor de Guido Mantega, por conta desse negócio, crédito de 50 milhões de dólares e abriu conta no exterior, em nome de offshore que controlava, na qual depositou o valor", relatou Joesley.

Na nota, a empresa informou que ele não revelou que estava na China "por razões de segurança", e viajou ao exterior "com autorização da Justiça Brasileira".

Em nota, sua assessoria disse que "Joesley é cidadão brasileiro, mora no Brasil, paga impostos no Brasil e cria seus filhos no Brasil".

Joesley não vinha ao Brasil desde que envolveu o presidente da República, Michel Temer, num escândalo de corrupção. O depoimento foi autorizado pelo juiz Ricardo Leite.

O documento diz que o empresário "está à disposição do Ministério Público e da Justiça brasileiros". O Supremo Tribunal Federal (STF) instaurou inquérito contra o presidente por suposto crime de corrupção, organização criminosa e obstrução à Justiça.

Uma das investigações que podem causar maiores problemas para Joesley foi deflagrada na última sexta-feira pela Polícia Federal. O comunicado informa ainda que o empresário estava na China, e não "passeando na Quinta Avenida", nos Estados Unidos. O proprietário do grupo J&F relatou ter participado de pelo menos 20 encontros com o peemedebista.

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