Google demite funcionário que 'justificou' a ausência de chefe mulher

Escritório do Google em Londres

"A distribuição de preferências e habilidades de homens e mulheres difere em parte por causas biológicas e.estas diferenças podem explicar porque não vemos representação igualitária de mulheres na área de tecnologia e em liderança", disse Damore na mensagem.

No citado documento, intitulado "A câmara de ressonância ideológica do Google", o agora ex-empregado do Google expunha as suas ideias nas quais questionava as considerações sobre diversidade de gênero da empresa, cujo máximo responsável Sundar Pichai considera transgridem os valores da empresa.

No texto polémico, Damore escreve ainda que é preciso "parar de assumir que as lacunas de género implicam sexismo".

Após ser demitido, segundo informações da Folha de S.Paulo, Damore disse que foi mandado embora "por perpetuar estereótipos de gênero", e que vai estudar todas as alternativas legais.

Entre outras coisas, o autor do texto alega que a desigualdade de gêneros nas empresa acontece porque existem diferenças psicológicas entre homens e mulheres e não por conta de machismo, por exemplo.

Já as mulheres, segundo ele, "têm uma abertura maior para sentimentos e estéticas em lugar de ideias", o que leva elas a preferirem "trabalhos em áreas sociais ou artísticas". "Essas posições requerem, frequentemente, muitas e stressantes horas de dedicação que depois podem não valer a pena se quisermos uma vida equilibrada e recompensadora", sustentou o autor.

O Departamento de Trabalho dos Estados Unidos está investigando se o Google ilegalmente pagou menos a mulheres que a homens. "Não estamos enganados na nossa crença que a diversidade e a inclusão são cruciais para o nosso sucesso enquanto empresa e continuaremos a defender isso e estarmos comprometidos a longo-prazo", escreveu Brown.

De acordo com sua missiva, o debate interno na empresa está a ser conduzido pelos "princípios de igualdade no emprego, que podem ser observados no nosso código de conduta, nas nossas políticas e nas nossas normas antidiscriminatórias".

Em sua resposta inicial ao memorando, Brown, que saiu da Intel e se juntou ao Google em junho, sugeriu que a empresa estava aberta a todos os "pontos de vista políticos difíceis" da hospedagem, incluindo aqueles no memorando.

Contudo, há também quem esteja do lado de James Damore, como, por exemplo, Julian Assange, fundador do site de denúncias Wikileaks.

"Sugerir que um grupo de colegas nossos tem características que os tornam biologicamente menos capazes para trabalhar aqui é ofensivo e não está correto", disse o director executivo. "É ilegal retaliar contra uma acusação no NLRB", escreveu no email.

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