'Não tem nada de ilícito', diz Cardozo sobre gravação de Joesley

Wagner Pires  Futura Press

"Que a menção aos "cinco Ministros do Supremo na mão dele" foi elucubração de dois bêbados em casa e sozinhos; que essa questão dos cinco Ministros foi da imaginação de Ricardo Saud, não foi dito por José Eduardo Cardozo; que a outra menção aos 43:25s do áudio foi elucubração de Ricardo Saud, ainda não convencido sobre a colaboração, e testando as convicções do depoente sobre possíveis alternativas à celebração do acordo; que era tudo da cabeça do Ricardo Saud testando o depoente pois José Eduardo Cardozo; que Ricardo Saud diz que não mostrou o áudio de José Eduardo Cardozo a Marcelo Miller".

Miller foi auxiliar do procurador-geral, Rodrigo Janot, até meados do ano passado, quando voltou a trabalhar na Procuradoria no Rio de Janeiro.

O empresário Joesley Batista disse em depoimento ao Ministério Público Federal que o ex-procurador Marcello Miller não deu qualquer auxílio na delação premiada da empresa nem na produção de provas.

Saud disse que contou a Miller sobre um encontro que teve com o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, que havia sido gravado, e sobre outras gravações que pretendia fazer -tudo isso antes de o acordo com a PGR ser fechado. Tanto o ex-ministro quanto Carvalho negam. A banca "emitia mensalmente notas de R$ 70 mil ou R$ 80 mil para contratos fictícios, e parte desse dinheiro iria, segundo Marco Aurélio, para José Eduardo Cardozo", de acordo com Joesley. Mas o empresário não foi questionado pelos procuradores sobre onde está esse material e como ele teria sido enviado para o exterior.

Quando Joesley disse que "pode entregar todos os áudios", os procuradores da República não indagaram como e quando ele poderia entregar as gravações nem se o delator indicou alguma condição para isso. Eles dão a entender que omitiram informações. Entretanto, conforme a "Folha", a PGR afirma que conversas como a de Cardozo "não apenas deixaram de ser entregues ao Ministério Publico Federal como foram levadas ao exterior, em aparente tentativa de ocultação dos arquivos das autoridades".

O áudio do diálogo envolvendo os delatores da JBS e o ex-ministro da Justiça não foi divulgado para a imprensa.

4. No que diz respeito a anterior contrato de prestação de serviços mantido, no passado, pelo meu atual sócio, Dr. Marco Aurélio Carvalho, observo que este se referia a outro escritório de advocacia, distinto do atual que integro hoje, com composição societária completamente diversa. Joesley afirmou que teria celebrado um contrato "fictício" com o advogado Marco Aurélio Carvalho, do qual nunca fui sócio até o presente ano, e que este advogado teria ainda dito que uma parte do dinheiro me seria enviada.

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