Americanos classificam operação contra minoria rohingya como limpeza étnica

Myanmar e Bangladesh negoceiam repatriamento de mais de 500 mil rohingya

Nesta quinta-feira, 23, o Ministério do Exterior de Mianmar afirmou que assinou junto com Bangladesh um memorando de entendimento em prol do retorno de centenas de milhares de pessoas da minoria étnica rohingya.

Patten acrescentou que o uso generalizado da violência sexual "foi claramente um motivo e factor promotor" da fuga de mais de 620 mil Rohingya de Myanmar. Apesar de Bangladesh ser uma país pobre e superpopuloso, os cidadãos ajudaram os refugiados como puderam.

"Nós estamos prontos para recebê-los assim que possível", disse Myint Kyaing, secretário do Ministério de Trabalho e Imigração de Mianmar. Ele se referiu ao documento que os rohingyas devem preencher com seus dados pessoais antes de serem repatriados.

Rex Tillerson tinha evitado o uso destas palavras durante a visita ao país na semana passada, mas agora culpa as forças militares de terem realizado "terríveis atrocidades". De acordo com o governo, 12 pessoas morreram. Em resposta, as forças de segurança de Myanmar lançaram uma repressão violenta no estado de Rakhine. Segundo as Nações Unidas, esta resposta birmanesa foi desproporcional.

A ONU denunciou que as forças de segurança de Myanmar cometeram assassinatos; estupros e incendiaram aldeias inteiras durante a repressão em Rakhine.

Os Estados Unidos consideram que as violências que obrigaram mais de 600 mil rohingyas a fugir de Myanmar desde o final de agosto "constituem uma limpeza étnica" contra esta minoria muçulmana, declarou quarta-feira o secretário de Estado. Segundo o porta-voz da Santa Sé, Francisco deverá reunir-se em privado com o comandante do Exército do Myanmar - que tem negado as acusações de massacres e perseguição - bem como com vários refugiados Rohingya instalados no Bangladesh e com Aung San Suu Kyi.

A previsão é que o acordo entre em funcionamento em até dois meses.

O alto comissário para os direitos humanos da ONU, Zeid Ra'ad Al-Hussein, classificou a ação como "exemplo clássico de limpeza étnica".

As declarações do secretário sinalizam uma mudança na atuação americana em relação ao caso. "Depois de uma análise cuidadosa e completa dos fatos disponíveis, é claro que a situação no norte do estado de Rakhine constitui uma limpeza étnica contra os rohingyas", disse Tillerson, em nota.

Por outro lado, o embaixador da Rússia em Mianmar, Nikolay Listopadov, defende que "intervenções externas excessivas" no país asiático não trariam resultados, apenas ajudariam a aumentar a pressão no cenário.

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