Geisel autorizou execuções durante ditadura — CIA

34 presidentes

O memorando, cujo assunto é descrito como "decisão do presidente brasileiro Ernesto Geisel de continuar a execução sumária de perigosos subversivos sobre certas condições", foi descoberto pelo pesquisador Matias Spektor, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Geisel, que acabara de assumir, tomou um dia para refletir e finalmente disse ao chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), João Baptista Figueiredo, que o sucedeu na Presidência, que esta política "prosseguiria, mas que se deveria tomar cuidado para se certificar de que apenas os subversivos perigosos fossem executados", diz o informe da chefia da Central de Inteligência Americana (CIA).

Sob Geisel, a coordenação das ações foram centralizadas no Palácio do Planalto, por meio do Serviço Nacional de Informação. Ernesto Geisel, que foi o penúltimo presidente da ditadura, de 1974 a 1979, tem a reputação de ter enfrentado a linha mais dura do regime.

Segundo ele, "o Brasil não poderia ignorar a ameaça terrorista e subversiva e que 'métodos extralegais' deveriam continuar sendo empregados". O documento da CIA que revelou o encontro do presidente Ernesto Geisel com três generais para discutir critérios para os assassinatos de dissidentes políticos avacalha os 40 anos de política de silêncio que os comandante militares cultivam em relação às práticas da "tigrada" dirigida pelo Centro de Informações do Exército, o CIE. A este respeito, o General Milton disse que cerca de 104 pessoas nesta categoria foram sumariamente executadas pela CIE durante os anos anteriores (1973), aproximadamente.

"Se um general-presidente mais moderado autoriza execuções, arrepia pensar o que diriam seus antecessores, considerados mais duros". Em nova reunião, no dia primeiro de abril, Geisel determinou ao general Figueiredo que as execuções continuassem, e que a ordem de matar um preso deveria ser dada pelo próprio Figueiredo.

"O que pode ter acontecido com este agente da CIA?" Coutinho, por sua vez, narrou para Geisel sua experiência com execuções à frente do IV Exército.

Rossi lembra que "quase todo o mundo no Brasil acomodou-se à ideia de que, sim, havia torturas, prisões clandestinas, mortes e outras violências, mas era melhor acreditar que se tratava de ações de um grupo de celerados de farda, não autorizadas pelo andar de cima". "E não liquidaram, não?", perguntou Geisel. "Tem elemento que não adianta deixar vivo, aprontando". O relatório foi tornado público e está disponível no site oficial do Departamento de Estado norte americano. Foi também durante seu governo que o "milagre econômico" da ditadura começou a ruir.

A Comissão da Verdade, que trabalhou no levantamento dos crimes da ditadura, mas que esteve limitada à responsabilização de lideranças intermediárias das forças armadas, deveria reabrir suas investigações para apurar e condenar, pelo menos perante a história, figuras até então mantidas a salvo, como Geisel e Figueiredo.

Em resposta a um pedido de comentário da Reuters, o Centro de Comunicação Social do Exército disse que "os documentos sigilosos, relativos ao período em questão e que eventualmente pudessem comprovar a veracidade dos fatos narrados foram destruídos, de acordo com as normas existentes à época".

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