Spike Lee regressa a Cannes com "BlacKkKlansman"

Adam Driver e John David Washington no aclamado “Black Kklanman” forte concorrente à Palma de Ouro

Baseado na história verídica de um oficial de polícia afro-americano que se infiltrou na Ku Klux Klan, o filme de Spike Lee, ausente do festival desde "A Febre da Selva" em 1991, alterna durante duas horas entre o suspense clássico e o tom político, terminando com a denúncia dos acontecimentos em Charlottesville, cidade da Virgínia abalada pela violência de grupos de extrema-direita a 12 de agosto de 2017.

O mesmo Spike Lee se entregou a um discurso contundente contra o presidente Trump nesta terça-feira (15) diante dos repórteres.

A morte de Heather Heyer "foi um assassinato", insistiu o realizador, que acrescentou: "E nós temos um tipo na Casa Branca, nem vou pronunciar o maldito nome dele, que, nesse momento decisivo, poderia ter escolhido o amor contra o ódio".

BlacKkKlansman parece ser uma crítica dura e furiosa às políticas do Presidente norte-americano e às políticas de extrema direita em todo o mundo que, diz Lee, parecem uma "praga".

Na trama, cheia de ironia e ginga, feita com base em relatos reais de Stallworth, Lee faz um balanço do racismo nos Estados Unidos dos anos 1800 até a Era Trump, usando o filme O Nascimento de uma Nação (1915), de D.W. Griffith - marco da criação da gramática fílmica, mas também da exclusão aos negros - como base de estudo do ódio no país. Sua ideia: infiltrar-se na KKK. Mas quando se trata de entrar fisicamente no local do Klan, ele precisa de uma cobertura: entra em cena o seu colega Flip Zimmerman (Adam Driver), branco e judeu, o que também não é recomendação para o grupo racista. A dupla está muito bem e faz com que o filme muitas vezes transborde para a comédia pura.

Na última imagem do filme, aparece uma bandeira norte-americana com as estrelas de cabeça para baixo. Spike Lee definitivamente não esconde o seu jogo.

Será que é desta de Spike Lee chega ao Palme d'Or? Polemista de plantão, o diretor dinamarquês - que passou seis anos banido de Cannes após ter dito, em 2011, ao fim da sessão de "Melancolia", que entendia os motivos de Adolf Hitler para odiar os judeus - está de volta com um thriller sobre o cotidiano de um psicopata (Matt Dillon). Em 2011, nesse mesmo festival, ele afirmou que podia compreender Hitler, o que o levou a ser expulso da mostra de cinema.

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